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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Zika ou Chikungunya? Novos males do século.

Ao final do ano de 2015, meu filho Paulo e eu tivemos uma virose bastante incômoda. Após ter passado o início da noite em meu quarto brincando com o bebê acordamos com pequenas manchas vermelhas pelo corpo, que coçavam sem parar e febre (ainda bem que o bebê, com seu pijaminha de mangas compridas não teve sintomas). Além disso, sentíamos estranhas dores nas articulações das mãos e nas pernas. Também senti náuseas.

Logo fomos ao médico, que nos diagnosticou com zika, pois os exames para dengue deram negativos. O diagnóstico foi por exclusão, visto o alto preço do exame da zika, não coberto pelo plano de saúde. Segundo o médico deveríamos tomar paracetamol e ficar em repouso, bebendo bastante líquido até que nossos corpos tratassem de cuidar do problema. A virose de paulo foi mais amena, ele mencionou sentir dores sensíveis nas mãos e febre baixa, pouca coceira. Eu senti coçeira intensa e muitas dores nas articulações. Tomamos Hixizine e a coceira melhorou. No terceiro dia acordei a noite suando pós febre e assim a virose seguiu seu curso por mais ou menos dez dias. Paulo ficou curado sentido levemente incômodo nas articulações dos dedos das mãos. Eu continuei sentindo dores nas pernas e articulações das mãos por meses. Sinto que nunca voltei a ser a mesma.

No mês de janeiro desse ano meu esposo e eu fomos acometidos de uma virose intensa. Começamos a sentir muitas dores no corpo, febre alta com calafrios principalmente durante as madrugadas e diarreia. Buscamos ajuda médica e fomos inicialmente diagnosticados com zika. A médica que me atendeu receitou dipirona e predsona. Já o médico que atendeu meu esposo passou paracetamol apenas. meu esposo sentiu bastante enjjos com o paracetamol e passou a tomar dipirona como eu. A médica que me receitou a dipirona afirmou que ela não gosta de receitar paracetamol que no Estados Unidos é medicamentado prescrito com receita, ao contrário do Brasil. meu marido e eu percebemos que os sintomas dessa virose foram inicialmente mais intensos nele, talvez porque eu estava tomando o predsona e ele não. Em poucos dias surgiram as manchas pequenas vermelhas em nossos corpos. 

Estranhei a virose dessa vez, que se mostrou mais agressiva. As dores nas pernas eram muito fortes, não conseguia andar direito. os pés inchavam embaixo e dificultavam me equilibrar em pé. As panturrilhas doíam, assim como as articulações das mãos e pés.  Fiz exames para dengue pelo plano que deram negativo, e paguei o exame para chikungunya indicada pelo laboratório. Me informaram que na rua em que moro já havia um caso. Esse exame deu positivo e assim descobri que dessa vez estava com chikungunya.
Nunca havia contraído doença tão incômoda e incapacitante. Na segunda semana doente acordei andando como uma velhinha, corcunda e arrastando o pé esquerdo. Do mesmo modo meu esposo arrastava o pé esquerdo, mas sentia ainda mais dores nas mãos e dedos inchados. 

Chorei bastante por mal ter forças para cuidar de meu bebê de sete meses, cuidar da casa ou realizar tarefas simples como ir ao banheiro ou ir à cozinha me alimentar. Minha salvação foram meus dois filhos adolescentes, Gilberto e Paulo que cuidaram do bebê, de mim e de meu esposo. Tentamos contratar a diarista para nos ajudar mas levamos bolo no primeiro dia. Ao final da segunda semana meus filhos e eu passamos uma semana na casa de minha mãe, noutro interior e meu esposo ficou aqui em Senhor do Bonfim por causa do trabalho.

Essa segunda semana foi bem difícil. Havia esquecido quão enorme era a casa da minha mãe, o que dificultou minha estadia. O banheiro era muito distante do quarto em que estava. A toalha de banho nunca estava lá e sim no varal. A cozinha, enorme, também era distante de tudo! Imagine cuidar do bebê e de mim mesma nessa situação! E eu acostumada a morar em apartamento onde pedir ajuda a um dos meninos era tarefa fácil! Imagine dormir sozinha num quarto com o bebê e ter que levantar à noite para cuidar dele, que estranhou o quarto, com fortes dores no corpo e especialmente dores nos pés que dificultavam o ato de caminhar! Decidi voltar para casa na terceira semana da virose.

Meu esposo e eu ainda estávamos muito mal, nos arrastando para qualquer tarefa. Ele estava com as mãos muito inchadas de tanto digitar no trabalho. Então soubemos por meio de uma vizinha que as farmácias da cidade estavam vendendo uma injeção milagrosa que reduzia as dores e que vários vizinhos acometidos estavam tomando. Fomos "correndo" à farmácia do trabalhador buscar a talk injeção, de diprobeta e nos dirigimos ao hospital para tomar. Vi na bula que é uma injeção de corticóide, voltada para amenizar casos de artrite. 

Logo que tomamos a injeção não sentimos efeito imediato, pois esperávamos um  milagre. Mas no dia seguinte começamos a movimentar melhor nossos dedos das mãos e aos poucos andar melhor. Na primeira semana após tomar a injeção já andávamos com normalidade, apesar de sentir algumas dores. Hoje, faz cerca de duas semanas que tomamos a injeção e estamos sentindo que a intensidade das dores nas articulações está voltando. Mas não se compara o que passamos na segunda e terceira semana da doença.

A mídia difunde enormemente os males da zika, isso por causa de sua associação com o surgimento de microcefalia em bebês cujas mães são acometidas com o vírus durante a gravidez. Mas não há comparação em termos de dor com a chikungunya que é por demais agressiva. Às vezes acredito que tive a zika e chikungunya associadas nessa segunda virose, pois senti coceira além dos sintomas da chikungunya. Li que a coceira só é sentida por quem tem zika.  

Atualmente vivemos num planeta com tantos avanços tecnológicos mas que se mostra frágil frente a desastres naturais e epidemias tais como os vírus trazidos pelo Aedes Aegypti. Um mosquito tem feito mais estragos do que sonhara a imaginação humana para esse início de século. E ainda que muita gente esteja sofrendo com as doenças causadas por esses vírus nosso país ainda prossegue imerso numa burocracia sem fim que dificulta pesquisas e parcerias com outros países para a descoberta de vacinas e cura para as doenças trazidas pelo Aedes. A saúde pública é frágil. As empresas de saúde imersas em impostos e tributos não amolecem à população que depende de seus serviços. O governo não ajuda suficientemente. É o Aedes contra o homem. E o Aedes está vencendo :(.