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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Em busca de um novo emprego

É pessoal, decidi. Vou buscar um novo emprego. Preciso muito do apoio de vocês nisso. Sempre escutei:
- Nossa, você é muito inteligente!
ou então
- Você é uma batalhadora!

Porém, falta em mim confiar em mim mesmo.
Para conseguir o emprego como professora universitária tive que me empenhar muito. Fazer tudo que fosse preciso e fosse correto, ainda que me custasse todo esforço e dor do mundo.

Quando apredi meu pai, estava saindo de um casamento doentio, agressivo, um amor de adolescente fracassado. Após tentar,m e tentar que desse certo, e sofrer muito, talvez a morte do meu pai tivesse me trazido à realidade, foi como um insight de que o mesmo poderia contecer comigo.
Bom, saí desse passado falecido fugida, grávida e com um garoto pequeno. Deixei todas as minahs coisas materiais para trás e levei o que importava - meus dois garotos, meus tesouros.
Minha mãe, recém viúva, ainda passava por dificuldades financeiras, já que meu pai era o principal provedor da casa e também se encontrava emocionalmente destruída. Retornei a casa de minha mãe muito machucada e disposta a enfrentar muitas mudanças.
Logo que Pê nasceu, consegui um emprego temporário como professora numa escola municipal de uma cidade vizinha à minha. Meio turno, um salário mínimo, para ministrar aulas de História e Geografia num projeto de regularização do fluxo escolar. Em janeiro e fevereiro não tinha salário, já que não era efetiva. Era complicado trabalhar pela manhã em Itaquara, voltar para Jaguaquara à tarde e à noite estudar em Jequié. Nesta época cursava Pedagogia, apesar de todas as atribulações nunca deixei de estudar. Nada me impediu disso.
Foi difícil deixar os guris como uma babá e ficar sem tê-los por parte do dia e à noite, mas isso era necessário. Sempre conversei com os dois, explicando tudo que fazia, qual o motivo. Dizia que tudo era para nosso bem, que tinha que trabalhar e estudar para que pudéssemos melhorar de vida.
Por conta de meu desenvolvimento no trabalho tão logo consegui para 20 h semanais, com aulas de matemática e, dentro de um ano já havia me efetivado, conseguido um contrato com o Estado da Bahia para dar auals de matemática e Biologia e trabalhos como instrutora de cursos de inglês e matemática pelo SENAC. Nos finais de semana também ministrava aulas particulares de inglês. me empenhava em estudar para as disciplinas da faculdade nos finais de semana, pois trabalhava todo o dia em Itaquara, fazia facul a 60 kms desta e só retornava em casa por volta da meia noite, quando o ônibus me deixava das aulas. Cedinho tinha que viajar para trabalhar novamente. Mas os finais de semana existiam. Dentre estudos e planejamentos de aula ficava com os meninos, o que me dava muita paz.
Quando terminei a graduação fiz num mesmo ano duas pós graduações nos finais de semana e trabalhei muito durante as semanas. Tinhas turnos de 8:00 às 12:00, de 13:30 as 17:30; de 17:30 às 19:00 e, às vezes também à noite, de 19:00 às 22:00. Ou seja, não comia direito, não tinha tempo para pensar. Não doía nem chorava, pois não conseguia refletir sobre o quanto tinha coisas a dizer, a desabafar. Saía para beber com colegas. Esse era o único momento que podia sentir alívio, em meio a tanta responsabilidade.
Crianças pequenas constumam adoecer e dar muito trabalho! É muito complicado conseguyir boas babás. E ninguém leva a sério uma mãe solteira, com dois guris, ainda que fossem os guris mais lindos e maravilhosos que existem no mundo! Entre um problema e outro, aos finais de semana, entre o trabalho no dia de sexta, a aula da pós a noite e a manhã de sábado também com aulas ( que se estendiam até a manhã de domingo - pois eram duas pós graduações), tinha uma enorme vontade de ter uma vida tranquila e estar mais tempo com os meus bebês, mas nesse momento não podia, pois estava estudando a 50 km de lá e deveria estar em aula no dia seguinte.
Depois disso trabalhei em diversos lugares, cada vez melhores, como professora. Coordenei creche, escolas, dei assessoria em secretaria de educação, ministrei aulas em faculdade particular, universidade pública estadual até passar neste concurso - de docente de uma universidade federal. Peguei uma mochila, assumi o emprego, aluguei uma casa e, junto com meus filhinhos começei uma nova vida, pensando que tinha alcançado finalmente a felicidade.

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