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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Professores construtores de professores

Gosto de lembrar dos tempos que fui aluna e dos professores que tive que foram fundamentais na minha formação não só escolar, mas de vida.

Cursei a educação infantil num colégio de freiras - do Colégio Luzia Silva em Jaguaquara/BA, não tenho lembranças significativas só me recordo de algunas castigos que recebi por ser conversadeira, a professora me colocava em pé, de costas para todos com a testa encostadinha para o quadro. Pura aflição! Acho que essas rpofessoras me alfabetizaram bem, mas não me recordo de felicidade nesses tempos.

Cursei o primário na Escola Tempo Feliz, meu pai a chamada de "Escola Tempo infeliz" se reportando às pesadas mensalidades...rsrrsr Lembro que lá tinham muitas atividades, além das disciplinas comuns tinha aulas de balé e fazíamos teatrinho para toda a escola. Me recordo de um parquinho pequeno, uma armação de madeira em que meus colegas e eu nos pendurávamos e também dos desfiles de rua em que nos apresentávamos com lindas roupas. Me lembro que reclamei com a diretora, a professora Graça, por ela ter gastado toda minha tinta numa pintura e acabei no castigo!!! Quanta injustiça, não podíamos nem nos expressar. Acho que a repressão desses períodos iniciais não me deixaram lembranças muito felizes!(Desde novinha já gostava de contestar contra injustiças...).

Penso que minha felicidade escolar começou na quinta série ginasial no Colégio Taylor Egídio um tradicional colégio fundado por missionários batistas. No "Taylor" tínhamos orientador de disciplina e estudava muito mas em compensação tínhamos muito espaço para passear, muita natuerza para admirar, preleições que tratavam de valores báseados nas palavras da Bíblia Sagrada, praticávamos muitos esportes através dos quais competíamos, apresentávamos peças teatrais, participávamos de shows de talentos, era demais. O Taylor foi um colégio marcante e lá encontrei referências docentes que não posso esquecer, além professora Stela Dubois, uma diretora doce, meiga, formada em psicologia mas que quando se irritava fazia todos calarem. Recordações dos professores do Taylor::
- O professor Jalon Leal, de inglês, originário de Itiruçu/BA, figura brilhante. Quando o professor Jalon entrava na classe todos paravam para ouvir suas histórias semprer emocionantes, sábias ou engraçadas ao som de sua voz forte e elegante. As pessoas me perguntam como sei traduzir e pronunciar tão bem sem que tenha ingressado em cursos de inglês e até consegui a proficiência na primeira tentativa, pela UFBA! Bom, com o professor Jalon aprendi que na aula há diálogo, incentivo e lições de vida, sempre mantendo o respeito e a ordem, além da necessidade de estudar bastante;
- Com o professor paulo de Biologia vi a necessidade de diversificar as aulas, o problema é que dava uma vontade de papear nas auals dele... Me esforçava, ficava sentada ereta, quietinha, durinha da silva paera não atrapalhar...Mas não tinha jeito meus colegas insistiam em mexer no meu cabelo, futucar com o lápis - ô povo xarope!!!
- Com o professor de física Brito aprendi a buscar paciência e atender a todos o quanto for possível. Ele não era bonito mas nunca vi alguém atrair tanto minhas colegas mais alvoraçadas... rsrsr Eu? Ah, eu era uma criança, me poupem! Brito dizia que para passar no vestibular era necessário resolver os três volumes da coleção de Ramalho. Brito era só prontidão;
- Com Rangel aprendi que sorrir e brincar também é necessário mesmo que na aula de matemática. Nunca havia visto um engenheiro tão apressadinho! Explicava o assunto tão rápido que o pessoal mal podia acompanhar! Mas que o cara sabia, sabia. Eu já tinha ouvido de dois professores de matemática antes dele: - amanhã respondo ou um você é inteligente! Mas de Rangel escutava quando insistia em pedir pelo esclarecimento da mesma dúvida mais de duas vezes:- Rosinha, vocês não tem jeito não! (Rosinha só porque eu usava umas coisinahs cor-de-rosa - só o tênis, batom, lecinhos, presilhas, elásticos, materiais escolares...Alguns meninos diziam que eu era patricinha, mas acho que era só vingaça por que não dava bolas para nenhumdeles, aliás ODIAVA os meninos, achava uns bobões, só gostava de meus amigos de violão Isaac e Fábio além de uns outros poucos. Preferia gastar meu tempo estudando);
- Mário de química me ensinou a necessidade de viver as aulas: corria para um lado, pulava, apenas para demonstar o que queria explicar na aula. Às vezes discordava de algo que ele dizia, mas como era teimoso! Mas também muito inteligente e batalhador;
-Com Brito de língua portuguesa aprendi a amar algo do que se ensina. Não me esqueço de suas interpretações de Castro Alves. Noutros tempos o encontrei e ele disse que tinha mudado de preferência, só não lembro qual sua próxima vítima, ops poeta ( mas que ele é o cara é mesmo!);
- Com a professora Geni aprendi que devemos utilizar o que há de mais avançado em matéria de epistemologia da matéria. Durona, séria, um pouco ranzinza e professora Geni me apresentou uma história que dantes nunca conheci. Ainda que através da dor aprendi que devemos relacionar as coisas que a história não é linear, mas sim cheia de conexões;

Logo que saí da escola, antes de fazer o vestibular cheguei a ficar uns três meses no cursinho Mendel em Salvador. Foi lá que conheci um professor sensacional- Edmundo (Ah, lá também tinha um gatinho de aparelho,
achava lindo garotos de aparelho! Minha dentista disse que atualmente muitas pessoas pedem chapa com aparelho, para ficar mais atraentes...Sacou? CHAPA COM APARELHO!!!ARRRRRGH O cúmulo da vaidade!). Voltando ao professor Edmundo ele se auto intitulava "Edmundo animal"! Que figura. Conseguia fazer uma classe de duzentas pessoas comrpeender química e se perder nas suas histórias e jeito engraçado. Aprendi que temos que relaxar na aula, para ter segurança basta fazer nossa parte;

Mais tarde entrei no curso de jornalismo, não me identifiquei com a área, ingressando então no curso de pedagogia. Na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia de Jequié conheci a Thalamira Thaíta uma jovem professora linda, inteligente que encantava toda a classe com seus cabelos super cacheados esvoaçantes, seu sorriso e a história da didática. Thalamira me ensinou que devemos nos preparar para as oportunidades e ter competência e responsabilidade no trabalho e ainda assim nunca perder o charme. Lá também tive outros professores excelentes: André, Sônia, Laura, Conceição, etc.

Na pós graduação lato sensu da UESB, em ensino de ciências conheci Marco Antônio meu grande orientador e amigo que me ensinou que com simplicidade e leituras podemos atingir boa parte de nossos objetivos acadêmicos. Marco Antônio acreditava muito em mim. Ele dizia que eu chegaria lá onde quisesse. O Pepeu, coordenador do curso também dizia isso, havia me orientado na monografia de graduação.

Na pós graduação stricto sensu tenho contato com docentes de primeira linha: Olival Freire, André Mattedi, Charbel El Hani, Conceição Oki...Tenho a imensa honra de estar com eles aprendendo e construindo relações do ser docente.

Bom escrevendo essa história caí na real que os tempos em que me senti mais feliz foram justamente aqueles em que tive maior liberdade para expressar meus sonhos, vontades, desejos através dos estudos mesmo. Talvez o segredo da educação esteja na palavra LIBERDADE. Bom estou um pouco cansada agora para pensar nisso vou deixar para um outro momento.

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